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Se os anos 90 forem os novos anos 80 (conforme se aventa por estas plagas), em breve relembraremos das pérolas elencadas a seguir:

 

• Locomia - Umas das sensações do início dos 90 foi o grupo espanhol Locomia. Formado por Xavier Font (único homossexual assumido da trupe, que depois foi substituído por Francesc Picas), Manuel Arjona, Carlos Armas e Juan Antonio Fuentes (que, posteriormente, cederia o posto a Santos Blanco), eles atuavam de maneira informal na discoteca “Ku”, em Ibiza, desde 1984. Suas apresentações já contavam com os leques que os caracterizariam. Descobertos pela EMI e fixados em Madri, os rapazes lançam em 1989 o auto-intitulado hit “Locomia”, que vira uma febre. Mesmo tidos como gays, as mulheres iam à loucura. Chegaram a vender três milhões de discos com canções extremamente comerciais. No final de 1992, os membros originais se separam.

 

• Salt-N-Pepa - Com o lançamento do álbum “Very Necessary” em 1993, o trio Salt-N-Pepa atinge o auge. Formado por três garotas do Queens, em Nova York, elas eram as únicas mulheres no meio do hip hop americano em fins dos 80 e começo dos 90. O grupo – formado por Cheryl James (Salt), Sandra Denton (Pepa) e a DJ Deidra "Dee Dee" Roper (Spinderella) – vendeu mais de 15 milhões de discos ao redor do mundo. "Whatta Man", um dueto com o grupo En Vogue, alcançou o 3° lugar nas paradas de R&B em 1994. “None of Your Business" garantiu às garotas o Grammy de Melhor Performance de Rap em 1995. Entretanto, o maior sucesso do disco foi “Shoop”, que trazia os seguintes versos: “Then I flipped for a tip / Make me wanna do tricks for him / Lick him like a lollipop should be licked”. Precisa de tradução?

 

• Vanilla Ice - Pseudônimo do americano Robert Matthew Van Winkle. Em 1990, a gravadora SBK lança o álbum “To the Extreme”. O single “Ice Ice Baby” chega ao topo das paradas da Billboard; introduzindo o hip hop a uma nova audiência. A turnê de promoção do disco trazia a cantora Alanis Morissette – então com 16 anos – fazendo o show de abertura. Foi um tremendo sucesso comercial. No mesmo ano, Vanilla Ice teve um romance de oito meses com Madonna (aparecendo em “Sex”, o livro de fotografias dela) e ainda foi processado por David Bowie e pela dupla Brian May e Roger Taylor, do Queen (pois Van Winkle sampleou sem autorização a melodia-base de “Under Pressure”, que gerava toda a canção “Ice Ice Baby”). O processo acabou sendo arquivado. Em 1991, também foi lançada a falsa autobiografia “Ice by Ice: The Vanilla Ice Story in His Own Words”, com dados biográficos fictícios.

 

• Milli Vanilli - Em 1990, estoura a farsa criada por Frank Farian. O produtor alemão gravou, dois anos antes, um álbum com os músicos Charles Shaw, John Davis e Brad Howell. Porém, colocou na capa os modelos Fab Morvan e Rob Pilatus (contratados para fazerem playback das músicas em apresentações e arrebatarem o público feminino). A estréia do Milli Vanilli, “All or Nothing”, foi remixada e relançada nos Estados Unidos com o título de “Girl You Know It's True”. Eles levam para casa o Grammy de Melhor Artista Estreante em fevereiro de 1990 pela canção “Girl You Know It's True”. Em novembro, as dúvidas sobre a dupla crescem e Farian admite que Rob e Fab não cantavam no disco. Como resultado da pressão exercida pela mídia norte-americana, o Grammy que receberam foi cancelado e a gravadora Arista os retirou de seu cast. O álbum teve a fita master apagada.

 

• Jordy Lemoine - Nascido em 1988, o garoto francês entrou para o Guinness Book com apenas quatro anos de idade; tornando-se o mais jovem na história a ter um hit no primeiro lugar das paradas. Seus pais eram Claude Lemoine (um produtor musical) e Patricia Clerget (cantora e compositora, que lançou alguns discos nos anos 80). Na época em que começou a andar, Jordy acompanhava músicas do cancioneiro francês e era atração nas festas familiares. Logo surge a idéia de transformá-lo num artista comercial. A Columbia lança "Dur Dur D'Être Bébé" em 1992. Alcançando o topo das paradas francesas, o single vendeu 2 milhões de cópias. O fenômeno de vendas chegou a desembarcar no Brasil para dublar suas músicas nos programas de Hebe Camargo, Faustão e Gugu Liberato. Claude e Patrícia foram acusados de exploração infantil por tentarem capitalizar o sucesso do filho. A maré de boa sorte termina em 1996, com o divórcio dos pais.

 

• Scatman John - Impossível não simpatizar com John Paul Larkin, o Scatman John (também conhecido internacionalmente como John Scatman). Aos 12 anos, o americano gago começa a aprender piano e é introduzido na arte do “scat singing” através de gravações de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Chegou a lançar um álbum jazzístico nos anos 80. Em 1990, muda-se para Berlim e continua atuando como pianista de jazz em cruzeiros marítimos, clubes e bares alemães; sendo ovacionado ao incluir canções nas apresentações instrumentais. Nesse mesmo período, seu agente sugere a combinação do “scat singing” com a moderna música eletrônica. Mesmo reticente, Larkin trabalha com Ingo Kays e Tony Catania – produtores de dance music – e a BMG lança o single "Scatman (Ski-Ba-Bop-Ba-Dop-Bop)" em 1994. Esta canção foi criada com o intuito de inspirar crianças que gaguejavam a superar o problema. Ele adota o pseudônimo de Scatman John e, em 1995, aos 52 anos de idade, transforma-se numa estrela mundial. Seu single de estréia vendeu mais de seis milhões de cópias. Infelizmente, Larkin morreu de câncer no pulmão em 1999.

 

Enfim, haverá uma corrida aos sebos – particularmente às seções de vinis em promoção (naquelas onde, por um real e/ou 50 centavos, você leva para casa todas essas preciosidades).

 

O amanhã é o novo ontem.

 

ASSISTA:

Locomia - Locomia

Salt-N-Pepa - Shoop

Vanilla Ice - Ice Ice Baby

Milli Vanilli - Girl, I’m Gonna Miss You

Jordy Lemoine - Dur Dur D'Être Bébé

Scatman John - Scatman’s World

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HUMBERTO MAURO E A VELHA A FIAR

Quando ingressou no Instituto Nacional de Cinema e Educação (INCE) em 1937, Humberto Mauro já havia inscrito seu nome na história do cinema brasileiro. Natural de Volta Grande – pequena cidade na região da Zona da Mata mineira –, ele fundou a produtora Phebo Sul América (mais tarde rebatizada como Phebo Brasil Film de Cataguases); que foi palco de suas primeiras experiências cinematográficas. As produções, de baixo orçamento, eram realizadas com um elenco formado por amadores. Sempre em contato com a natureza, os filmes retratavam o Brasil interiorano tão familiar ao diretor.

 

Em 1933, Mauro realiza o filme que o consagraria: “Ganga Bruta”. Numa trama que radiografa a sociedade da época, um homem mata sua esposa – por uma questão de honra – na noite de núpcias. Após enriquecer na indústria, ele apaixona-se por uma jovem inocente. Com trilha composta por Radamés Gnatalli, o cineasta abusa de elementos cenográficos para imprimir um clima onde predomina a sensualidade, a violência urbana e a repressão sexual. A ousadia da proposta não entusiasmou os críticos brasileiros de então.

 

Gustavo Capanema (ministro da Educação e Cultura do governo Vargas) delega a Edgar Roquete Pinto a criação do INCE em 1936; com o intuito de difundir, através do cinema, uma educação que exaltasse o patriotismo dos cidadãos e os valores que o Estado Novo julgavam fundamentais. As criações do Instituto, evidentemente, não versavam sobre questões sensíveis ao governo – como a reforma agrária e/ou a exclusão dos trabalhadores camponeses.

 

Durante quase três décadas de serviços prestados ao INCE (onde Mauro se aposentou em 1964), o diretor realizou mais de 300 curtas-metragens. Os temas abordados eram dos mais variados: astronomia, arte, agricultura, dança, divulgação de campanhas de higiene e saúde, culto às tradições (muitas delas inventadas) e aos “heróis” nacionais... Um exemplo das produções institucionais da série Brasilianas – criadas sob a batuta governamental – é o excelente “A Velha a Fiar”, de 1960.

 

Partindo da canção popular de mesmo nome, o cineasta recria na tela a interação dos animais e dos seres que “fazem mal” uns aos outros. Nos créditos iniciais, temos algumas imagens bucólicas da vida rural: os costumes do campo, a divisão dos trabalhos domésticos na fazenda (as mulheres lavando roupa e os homens cuidando dos bois); sendo introduzidos os animais que farão parte do filme. A canção – interpretada pelo Trio Irakitan – começa assim que a velha, sentada numa roca, aparece. Devido à montagem ágil, este curta é considerado um pioneiro dos videoclipes contemporâneos. Curiosidade: não encontrando uma idosa adequada para o papel, o diretor convidou Matheus Collaço, seu amigo, para interpretar a velha.

 

Além de precursor do Cinema Novo, Humberto Mauro é reconhecido mundialmente como um grande inovador da linguagem cinematográfica. Em 1967, ele colaborou com Nelson Pereira dos Santos em “Como Era Gostoso o Meu Francês” (escrevendo os diálogos em tupi do filme). O diretor mineiro faleceu em 05 de novembro de 1983, aos 86 anos de idade.

 

ASSISTA:

A Velha a Fiar, de Humberto Mauro (1960)

 

LEIA:

Os Brasis do Mais Brasileiro dos Cineastas

Uma Entrevista Histórica

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JULIO CORTÁZAR POR ELE MESMO

Não é sempre que podemos acompanhar um autor lendo seu próprio texto. Daí a importância do lançamento do audiobook “Viva Voz de América Latina – Volume 9”. Editado pela Universidade Autônoma do México em 1997, o CD de 36 minutos (e cinco faixas) traz Julio Cortázar declamando os contos “Conducta en los Velorios” e “Casa Tomada”; além da leitura de trechos dos romances “Rayela” (publicado em 1963) e “El Perseguidor” (de 1967).

 

O encarte contém um prefácio de Carlos Monsiváis e o texto incluso nas gravações. Este é apenas um dos discos aonde podemos ouvir a voz do escritor argentino. O primeiro LP dedicado a ele foi lançado em 1967, com o título de “Cortázar Lee a Cortázar”. Seu trabalho já serviu como fonte de inspiração para diversos músicos; que transformaram os textos de Cortázar em canções.

 

Gabriel García Márquez também gravou alguns trechos de sua obra para a mesma coleção aqui citada.  

 

LEIA:

Julio Cortázar – Conducta en los Velorios

 

OUÇA:

Julio Cortázar – Conducta en los Velorios

 

ASSISTA:

Adaptação Visual de Conducta en los Velorios

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CARMEN DESPREVINIDA


Hollywood, 1941. Carmen Miranda havia rodado as últimas cenas de "Aconteceu em Havana". No camarim, a estrela retira a calcinha (presa por colchetes, que a incomodava) e olha fixamente para o teto, descansando. Frank Powolny – fotógrafo da Twentieth Century Fox – bate à porta e avisa que precisa de mais algumas poses da diva com Cesar Romero, seu parceiro de dança no filme, para completar o material de divulgação. Ela retorna rapidamente ao palco; esquecendo-se que estava sem calcinha. Durante um rodopio, a saia de lamê dourado fica presa e as lentes de Powolny registram a vagina de Carmen.

 

Os técnicos do laboratório da Fox revelaram o filme e logo perceberam a gafe. Naquela época, a política dos estúdios era preservar ao máximo os artistas (o que significava destruir qualquer foto que expusesse seus contratados em situação vexatória). Entretanto, uma cópia do negativo foi surrupiada do laboratório. Ainda demorou um ano para a fotografia estampar oficinas de carros, postos de gasolina e bares de estrada. Acionado pela Fox, o FBI tirou de circulação todo o material que encontrou.

 

Em julho de 1942, a imagem foi publicada na capa da revista “True Police Cases”. Havia uma tarja cobrindo a genitália exposta e também uma inscrição: “Quanto valem as estrelas de Hollywood no mercado de fotos imorais”. Numa sociedade americana quadrada e repleta de convenções, aquele incidente poderia acabar com a carreira da estrela. Mas a Fox apoiou Carmen Miranda e o fato não manchou sua reputação.

 

Essa curiosidade é contada (mas não exibida) em “Carmen – Uma Biografia”, de Ruy Castro.

 

VEJA:

A foto proibida


ASSISTA:

Aconteceu em Havana (trecho)

 

OUÇA:

Carmen Miranda – Eu Dei

Carmen Miranda – E o Mundo Não Se Acabou

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Quem nunca ouviu falar em Ronald Biggs? A história do ladrão inglês está intimamente ligada com nosso país: em 1963, junto com alguns comparsas, ele assaltou o trem pagador que seguia de Glasgow até Londres. Estima-se que o bando tenha levado 2,6 milhões de libras. Conhecido como o assalto do século, o crime foi cometido sem nenhum disparo de arma de fogo – e sem nenhuma vítima fatal.

 

No começo de 1964, Biggs é preso e condenado a 30 anos de prisão. Ele cumpriu apenas 15 meses da pena na penitenciária de Wandsworth, no sul de Londres. Após fugir da prisão, Ronnie passou por cirurgia plástica, assumiu identidades falsas e viveu em diversos países até desembarcar no Rio de Janeiro em março de 1970 (motivado pelo fato do Brasil não possuir tratado de extradição com o Reino Unido). Aqui, o ladrão inglês constituiu família com Raimunda Nascimento de Castro. O casal teve um filho: Michael “Mike” Biggs que, anos depois, integraria o conjunto Balão Mágico.

 

Biggs virou atração turística na cidade e sempre atendia aqueles que o procuravam; cobrando 50 dólares por cada foto tirada com um turista. Em seu livro de fotografias, “I’ll Be Watching You – Inside the Police (1980-83)”, o guitarrista Andy Summers incluiu algumas imagens do grupo ao lado de Ronnie e do pequeno Mike – quando eles vieram ao país para se apresentar no Ginásio do Maracanãzinho, em 1982. E reza a lenda que Ozzy Osbourne também o visitou em janeiro de 1985, durante a primeira edição do Rock in Rio.

 

A incursão do ladrão inglês na música teve início em 1974. Biggs convidou seu amigo Bruce Henri (baixista do Soma que, naquele mesmo ano, havia participado do disco/show “O Banquete dos Mendigos” com a música “P.F.”) a criar a trilha sonora para um filme baseado em sua vida. Henri topou e, junto com os músicos Jaime Shields (guitarra), Nivaldo Ornellas (flauta, sax e clarinete) e Áureo de Souza (bateria) gravaram as canções de “Mailbag Blues – Ronnie Biggs’ Story”. O nome do álbum faz menção à cantoria dos presos londrinos que, no presídio, eram mantidos ocupados costurando sacos de correio.

 

Registrado num pequeno estúdio de 4 canais localizado no Leblon, o disco traz uma fusão do jazz com o rock. Todas as faixas são instrumentais e a produção é creditada a Ronald Biggs e Bruce Henri. As nove músicas – com títulos como “London ‘63”, “Courtyard Strut”, “New Dawn” e “Liberdade” – foram compostas pela dupla Henri/Shields. Segundo Henri, eles não permitiram que Biggs cantasse porque ele tinha uma “voz horrível”. O filme nunca foi rodado e várias gravadoras recusaram o lançamento de “Mailbag Blues” (pois nenhuma companhia queria estar associada à figura controversa de Ronnie).

 

Na década de 1990, Bruce recebeu do proprietário do estúdio a master daquelas gravações. O selo inglês Whatmusic editou o disco em 2004 e o lançamento chegou a ser resenhado na seção “Filter – Buried Treasure” da revista Mojo.

 

Em 1978, ocorreria a maior colaboração de Biggs no universo musical: as gravações com Steve Jones (guitarra) e Paul Cook (bateria), membros do recém-finado Sex Pistols. A dupla passou quase um mês no Rio, gravando “No One is Innocent” – também conhecida como “The Biggest Blow – A Punk Prayer”, composta por Ronnie – e “Belsen was a Gas”; enquanto o cineasta Julien Temple registrava cenas para o filme “The Great Rock'N'Roll Swindle” (arquitetado por Malcolm McLaren). As sessões em estúdio no Brasil aconteceram pouco depois da última apresentação dos Pistols.

 

A passagem pelo Rio de Janeiro ainda rendeu boas histórias: Jones e Cook foram a um show de Raul Seixas no Teatro Tereza Rachel, em Copacabana, e saíram no meio (porque acharam uma porcaria) e Malcolm sofreu um acidente de trânsito, batendo o Fusca que ele mesmo dirigia em um poste – o empresário, aliás, levou alguns pontos num pronto-socorro carioca.

 

“Conheci os meninos a pedido de Malcolm, que queria que eu escrevesse uma letra para eles. Daí surgiu ‘No One is Innocent’. Me pagaram 2 mil dólares e disseram que era ‘para uma coisinha caseira, à toa’. Depois descobri que a tal coisinha tinha vendido quase oito milhões de cópias”, relembra o ladrão inglês em entrevista à Showbizz (edição 133, nº 8, AGO/1996). “Malcolm é um pilantra fodido. Eles vieram na minha casa em Sepetiba e me chamaram para ‘join in the fun’ (juntar-se à diversão). Entrei, cantei e me pagaram mil doletas pela participação no filme”.

 

Já em 1991, foi a vez dos alemães do Die Toten Hosen desembarcarem no Rio para gravar com Biggs. Ele compôs a música “Carnival in Rio (Punk Was)”, lançada num single que também incluía uma nova versão de “No One is Innocent” e ainda “Police on my Back” (gravada originalmente pelo Clash). O videoclipe de “Carnival in Rio” foi rodado com câmeras emprestadas – pois a alfândega brasileira exigiu uma taxa muito alta para liberar o equipamento de filmagens deles – e traz cenas curiosas da banda, acompanhada por Ronnie, passeando nos arcos da Lapa e no bondinho de Santa Teresa. Durante a turnê do álbum “Learning English, Lesson One”, o Die Toten Hosen voltou ao Brasil e se apresentou no bar do ladrão inglês.

 

Ronald Biggs gravou para o selo Rock It!, de Dado Villa-Lobos (ex-guitarrista do Legião Urbana) um single em 2001, que continha a faixa “Run 2 Rio (Edu K Remix)” e uma versão de “Police and Thieves” (novamente do Clash); onde Biggs manda um recado para aqueles que sempre o perseguiram: “Vai pra puta que o pariu!” – dito em bom português! No mesmo ano, no dia 05 de maio, o The Sun anunciava a volta de Ronnie ao Reino Unido. O tablóide sensacionalista enviou um jatinho ao Rio de Janeiro especialmente para buscá-lo (em troca da exclusividade da história que, segundo consta, teria custado 44,000 libras). Ele foi preso assim que desembarcou na Inglaterra.

 

Em agosto passado, Jack Straw – ministro da Justiça do Reino Unido – anunciou a libertação do ladrão inglês. A saúde dele (agora com 80 anos) se deteriorou bastante desde o retorno voluntário a seu país de origem. Ele já quase não fala e ainda recebe alimentação por meio de uma sonda. Nos últimos anos, Biggs foi vítima de uma série de ataques cardíacos, derrames e crises epilépticas. O fim de Ronnie parece estar cada vez mais próximo.

 

LEIA:

– O Mais Procurado dos Homens, Collin Mackenzie, Nova Época Editorial, 1976.

– Eu Sou Mike Biggs – A Liberdade de Meu Pai, Maria Emilia Pickston, Rio Enterprises, 1983.

 

ASSISTA:

Sex Pistols e Ronald Biggs – No One is Innocent

Die Toten Hosen e Ronald Biggs – Carnival in Rio (Punk Was)

Entrevista com Ronald Biggs em 1994


OUÇA:

Ronald Biggs – Run 2 Rio (Edu K Remix)

Ronald Biggs – Police and Thieves

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Criados pelos roteiristas Glen Morgan e James Wong para o episódio “E.B.E. (O Ser do Espaço)”, do primeiro ano de Arquivo X, os Pistoleiros Solitários alcançaram um sucesso inesperado entre os fãs e acabaram ganhando papéis fixos na série. Ao longo de nove temporadas, o trio formado pelos personagens John Fitzgerald Byers (Bruce Harwood), Richard “Ringo” Langly (Dean Haglund) e Melvin Frohike (Tom Braidwood) auxiliou Mulder e Scully na busca pela verdade. Experts em teorias da conspiração, eles editam o jornal “Os Pistoleiros Solitários”; onde denunciam inúmeras armações contra o povo americano.

 

Apostando na boa receptividade que tiveram, as mentes criativas de Arquivo X – Chris Carter, Vince Gilligan, John Shiban e Frank Spotnitz – escreveram em 2000 o piloto do seriado solo dos Pistoleiros, chamado The Lone Gunmen. Com música de Mark Snow e dirigido por Rob Bowman, o episódio inicial apresenta uma trama que se mostraria profética: Byers, Langly e Frohike descobrem que alguns membros do governo planejam jogar um avião contra o World Trade Center, em Nova York! E o único objetivo da ação era reativar o mercado bélico do país, que estava parado desde o fim da Guerra Fria... Exibido nos EUA em 04 de março de 2001, o piloto foi transmitido exatamente seis meses e uma semana antes dos verdadeiros ataques terroristas na cidade!

 

Completando o elenco da série, temos a enigmática Yves Adele Harlow (Zuleikha Robinson); uma femme fatale que sempre se identifica com anagramas baseados no nome de Lee Harvey Oswald – e vive atrás de alguma boa recompensa em dinheiro. Em “Bond, Jimmy Bond”, o episódio seguinte, somos introduzidos ao personagem Jimmy (Stephen Snedden). Os Pistoleiros suspeitavam que ele estivesse envolvido em um assassinato, mas se dão conta que, assim como eles, o rapaz também luta por causas perdidas (e é integrado ao grupo). Outro que ajuda o trio ocasionalmente é Kimmy (Jim Fyfe); irmão gêmeo do hacker Jimmy, que foi atropelado por um ônibus e morreu no episódio “Three of a Kind (O Trio Inseparável)”, do sexto ano de Arquivo X.

 

Enquanto procuram novas conspirações para estampar a capa do jornal, eles se envolvem em diversas confusões. Em “Planet of the Frohikes (or a Short History of my Demeaning Captivity)”, o trio investiga um chimpanzé com inteligência acima da média.  Já em “Like Water for Octane”, eles pretendem desvendar o paradeiro de um antigo carro movido a água. Um atrativo a mais para os fãs é a participação de alguns rostos conhecidos do seriado que os Pistoleiros se originaram.

 

Pela ordem do DVD oficial, o episódio 12 é listado como o episódio 13 (para dar a impressão que Lone Gunmen terminava com uma história fechada – o que, por si só, representa uma tremenda quebra de continuidade). O correto é assistir primeiro a “The Cap’n Toby Show” e depois a “All About Yves”, que é o encerramento da temporada. Acontece que o desfecho foi pensado como um episódio de duas partes; que ganharia continuação no ano seguinte. Entretanto, a Fox cancelou a série alegando baixos índices de audiência e a saga dos Pistoleiros Solitários ficou incompleta.

 

Mas essa não foi a única vez que um seriado de Chris Carter terminou sem chegar a uma conclusão – já que Millennium só teve um final digno durante um episódio de Arquivo X, que cruzou os dois universos.

 

Em 2002, o produtor-executivo repetiu a dose e convenceu a Fox a bancar um derradeiro capítulo dos Pistoleiros dentro de sua série principal; que exibia sua nona e última temporada. Assim nasceu “Jump the Shark”, que se passa um ano após os acontecimentos de “All About Yves”. Como a premissa do episódio anterior era revelar a identidade e os verdadeiros interesses de Yves Adele Harlow, finalmente temos uma resposta satisfatória para o mistério. É neste desfecho polêmico que Langly – sempre usando suas camisetas de rock – defende Joey Ramone, seu maior ídolo.

 

Todavia, outro grande mistério ainda não foi solucionado: por que a Fox se recusa a lançar em DVD o box com os episódios dos Pistoleiros Solitários aqui no Brasil – já disponíveis, há muito tempo, no exterior? A pergunta continua no ar.

 

LISTA DE EPISÓDIOS:

01 – Pilot

02 – Bond, Jimmy Bond

03 – Eine Kleine Frohike

04 – Like Water for Octane

05 – Three Men and a Smoking Diaper

06 – Madam, I’m Adam

07 – Planet of the Frohikes

(or a Short History of my Demeaning Captivity)

08 – Maximum Byers

09 – Diagnosis: Jimmy

10 – Tango de los Pistoleros

11 – The Lying Game

12 – The Cap’n Toby Show

13 – All About Yves

14 – Jump the Shark (AX – Nona Temporada)

 

ASSISTA:

The Lone Gunmen – Créditos de Abertura

The Lone Gunmen – Iconografia

Entrevista com o ator Dean Haglund

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ENCONTRO DE GIGANTES

Embora sem datar com precisão, Ayrton Mugnaini Jr. relata o encontro histórico entre Hilda Hilst e Adoniran Barbosa no livro "Adoniran, Dá Licença de Contar..." (Editora 34). Ao mesmo tempo em que concluiu o curso de direito na Faculdade do Largo São Francisco, no centro de São Paulo, Hilda estréia sua carreira literária com o lançamento de “Presságios”, em 1950. No ano seguinte, sai “Balada de Alzira” – que traz o poema “Bem o Quisera”.

 

Nessa década, o compositor João Rubinato já era Adoniran (alcunha que adotou porque “cantar samba com nome italiano, não dá”, segundo declaração do próprio). No entanto, a consolidação da fama aconteceria ao iniciar a parceria com os Demônios da Garoa – grupo que participou, ao lado de Adoniran, das filmagens de “O Cangaceiro”, de Lima Barreto.

 

O autor de “Saudosa Maloca” leu o segundo livro de Hilda Hilst e ficou encantado com “Bem o Quisera”; que ele considerava um dos versos mais perfeitos já escritos na língua portuguesa. Em meados dos anos 50, Adoniran liga para a escritora e sugere um encontro – pois ele planejava musicar alguns poemas dela e queria tratar do assunto pessoalmente. A conversa entre os dois, bastante descontraída, ocorre no bar do Hotel Jaraguá, localizado na capital paulista. Como Hilda tinha dúvidas se seus versos dariam boas canções, Adoniran pediu que ela criasse, naquele exato momento, alguns poemas. Na mesa do bar, Hilda escreve “Só Tenho a Ti”, “Quando Te Achei” e “Quando Tu Passas por Mim”.

 

Em 1956, a escritora ouve “Quando Te Achei” na voz da cantora Morgana, que diz:

 

“Quando te achei

Só eu poderia te amar

Como te amei

Quando te achei

Havia tanta coisa pra te dar

Havia lua cheia sobre o mar

Havia espanto e amor no meu olhar

Havia a minha voz vazia

Meus vinte anos de espera

E grande melancolia

Quando te achei

Só eu poderia te amar

Como te amei”.

 

Justiça seja feita: foi Adoniran Barbosa quem introduziu Hilda Hilst no universo musical. Posteriormente, ela ainda teria versos musicados por nomes como Gilberto Mendes e Almeida Prado.

 

OUÇA:

Adoniran Barbosa - Só Tenho a Ti (trecho)
Elza Laranjeira - Quando Te Achei (trecho)
Léo Scartezzine interpreta Hilda Hilst
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Alguém é capaz de responder o que Johnny Depp, Keanu Reeves e Russell Crowe têm em comum? Poucos sabem que, além de serem astros hollywoodianos bem-sucedidos, os três compartilham uma paixão: a música. Se alguns migraram até para a política (vide Ronald Reagan e Arnold Schwarzenegger), não faltam exemplos de atores que entraram de cabeça na indústria musical.

 

Talvez o mais celebrado de todos seja o encontro de Serge Gainsbourg com as atrizes Brigitte Bardot e Jane Birkin. Na época em que namorou com Bardot, em meados da década de 1960, o lendário músico sugeriu que eles gravassem juntos a canção “Je t’Aime... Moi Non Plus”. A grande musa do cinema francês consentiu e a faixa foi registrada em dezembro de 1967. Posteriormente, Bardot temeu a repercussão do dueto e recuou; o que obrigou Gainsbourg a não lançar a música. Mais tarde, ele regrava “Je t’Aime” com Birkin e, ao lado da atriz inglesa, produz o disco em parceria “Jane Birkin et Serge Gainsbourg”, lançado em 1969. Era o início do relacionamento entre os dois.

 

Jane Birkin e Serge Gainsbourg

 

Já a filha do badalado casal, Charlotte Gainsbourg, não nega as origens familiares. Atriz como a mãe (tendo recebido, recentemente, o principal prêmio feminino em Cannes, por sua interpretação em “Anticristo”, de Lars Von Trier), ela também exibe seu talento musical. Desde que Madonna incluiu alguns trechos de sua voz – extraídos do filme “The Cement Garden” – na introdução de “What it Feels Like for a Girl” (do álbum “Music”, de 2000), Charlotte tomou gosto pela coisa e resolveu lançar seu disco de estréia, “5:55”, em 2006. E a filha de Jane Birkin e Serge Gainsbourg já prepara o próximo, que tem lançamento previsto para o fim do ano...

 

Depois de gravar “Little Baby Nothing” com o Manic Street Preachers (canção do álbum “Generation Terrorists”, de 1992) e “Somebody to Love” com os Ramones (cover do grupo sessentista Jefferson Airplane, incluída no álbum “Acid Eaters”, de 1993), a ex-atriz pornô Traci Lords lança o disco “1000 Fires” em 1995. A sonoridade é exclusivamente eletrônica e todas as letras fazem alusão a sexo. Em “Fallen Angel”, por exemplo, ela diz: “We’re all dancing in the darkness/ Don’t shut out the light/ I want so bad to ease your pain/ On the inside” (Nós todos estamos dançando na escuridão/ Não apague a luz/ Eu quero tanto aliviar a sua dor/ Por dentro).

 

Quem também deu o que falar foi Gillian Anderson – a eterna agente Scully da série de TV Arquivo X. Em parceria com o trio Hal, ela gravou a canção “Extremis” em 1997 (que foi lançada em CD single). A idéia da gravação surgiu quando Gillian apresentou o documentário “Future Fantastic” na BBC; cuja trilha foi composta pelo Hal. Tanto na letra de “Extremis” quanto no videoclipe, ela exibe uma faceta sensual até então desconhecida. A faixa ainda fez parte do CD “Future: A Journey through the Electronic Underground – Disc 1” (Virgin Records), que teve toda a seleção musical escolhida por Gillian.

 

E é de Vincent Price a narração que ouvimos em “The Black Widow”, de Alice Cooper (inclusa no álbum “Welcome to my Nightmare”, de 1975). Entretanto, a participação mais conhecida de Price no mundo da música – um dos maiores atores do cinema de horror – foi na clássica “Thriller”, de Michael Jackson (lançada em 1982). E vale esclarecer que não é Vincent Price quem narra a abertura de “The Number of the Beast”, do Iron Maiden! O ator chegou a ser convidado para a tarefa mas, segundo a própria banda, cobrou um cachê altíssimo – e acabou sendo substituído por um cara chamado Barry Clayton, que imitou sua indefectível voz.

 

Outro grande nome do cinema que também fez locuções em discos foi Orson Welles. O diretor colaborou em duas canções da banda Manowar: “Dark Avenger” (lançada no álbum “Battle Hymns", de 1982) e “Defender” (faixa de “Fighting the World”, lançada em 1987). O produtor e instrumentista Alan Parsons preparava “Tales of Mystery and Imagination” em 1976 – LP conceitual que homenageia o escritor americano Edgar Allan Poe. Chamado para participar, Welles fica de fora da empreitada por não enviar a tempo sua gravação. Porém, Parsons remixou o trabalho em 1987, com a mesma seqüência do lançamento original, e finalmente incluiu a voz do diretor (que declama os poemas “A Dream Within a Dream” e “Prelude”).

 

Mas a tendência de atores fazendo música também rendeu frutos aqui no Brasil! Claramente influenciados por Gainsbourg, o 3 na Massa – projeto paralelo de Pupillo e Dengue (da Nação Zumbi) com Rica Amabis (do coletivo Instituto) – lançou, no ano passado, o CD “Na Confraria das Sedutoras”. Todas as composições são interpretadas por mulheres e, entre as convidadas, estão as atrizes Alice Braga, Simone Spoladore e Leandra Leal. Já o ator Wagner Moura é vocalista de uma banda chamada Sua Mãe. Como só ocorrem ensaios anuais, tudo indica que o grupo é apenas um passatempo.

 

OUÇA:

Jane Birkin & Serge Gainsbourg - Je t'Aime... Moi Non Plus
Charlotte Gainsbourg - Morning Songs
Gillian Anderson e Hal - Extremis
Vincent Price – Thriller’s Voice Over
Alan Parsons Project e Orson Welles - A Dream Within a Dream
3 na Massa e Simone Spoladore - Pecadora

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