
Hollywood, 1941. Carmen Miranda havia rodado as últimas cenas de "Aconteceu em Havana". No camarim, a estrela retira a calcinha (presa por colchetes, que a incomodava) e olha fixamente para o teto, descansando. Frank Powolny – fotógrafo da Twentieth Century Fox – bate à porta e avisa que precisa de mais algumas poses da diva com Cesar Romero, seu parceiro de dança no filme, para completar o material de divulgação. Ela retorna rapidamente ao palco; esquecendo-se que estava sem calcinha. Durante um rodopio, a saia de lamê dourado fica presa e as lentes de Powolny registram a vagina de Carmen.
Os técnicos do laboratório da Fox revelaram o filme e logo perceberam a gafe. Naquela época, a política dos estúdios era preservar ao máximo os artistas (o que significava destruir qualquer foto que expusesse seus contratados em situação vexatória). Entretanto, uma cópia do negativo foi surrupiada do laboratório. Ainda demorou um ano para a fotografia estampar oficinas de carros, postos de gasolina e bares de estrada. Acionado pela Fox, o FBI tirou de circulação todo o material que encontrou.
Em julho de 1942, a imagem foi publicada na capa da revista “True Police Cases”. Havia uma tarja cobrindo a genitália exposta e também uma inscrição: “Quanto valem as estrelas de Hollywood no mercado de fotos imorais”. Numa sociedade americana quadrada e repleta de convenções, aquele incidente poderia acabar com a carreira da estrela. Mas a Fox apoiou Carmen Miranda e o fato não manchou sua reputação.
Essa curiosidade é contada (mas não exibida) em “Carmen – Uma Biografia”, de Ruy Castro.
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